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PANTANAL

"No Pantanal fundem-se a água, a terra, o gado, a fauna e a flora. Ali o homem branco é o intruso. A largueza dos horizontes, a beleza das noites, a fartura, a imensidão da água, transformaram o pantaneiro em um contemplativo. São poucas e felizes, as pessoas que aprendem com eles a viver naquele mundo hostil e selvagem.” (Antônio de Pádua Bertelli)

A denominação Pantanal sugere uma zona permanentemente alagada e inabitável - um pântano. Entretanto, trata-se de uma planície inundada periodicamente em conseqüência das chuvas de verão que provocam o transbordamento dos rios devido à pequena declividade do rio Paraguai.

Esta vasta depressão geológica é delimitada pelo Planalto Brasileiro, ao leste, pelas Chapadas Matogrossenses, ao norte, e por uma cadeia de morros e terras altas do sopé Andino, a oeste. O Pantanal do Mato Grosso possui uma extensão de 250 mil km2 e é a maior área alagável do mundo.

Nas lendas indígenas e nos primeiros mapas, o Pantanal é lembrado como um grande lago cheio de ilhas, chamado o "mar dos Xaraiés", em homenagem à primeira tribo indígena ali referida, e pode ser, com justiça, considerado a maior "janela" de evaporação de água doce do mundo.

Toda a vida e a economia dessa região estão ligadas a este sistema de inundações. A rica fauna de aves e mamíferos depende, na sua grande maioria, da alimentação aquática, fundamental para a vida pantaneira.
Imensas áreas são cobertas por plantas flutuantes como os aguapés e as salvínias. Levadas pelos rios, estas plantas constituem verdadeiras ilhas flutuantes chamadas “camalotes”.

Em suas águas encontra-se fartura de corimbatás, pacús, cascudos, pintados, dourados, jaús e piranhas, onde os jacarés têm papel importante, funcionando como "reguladores" da fauna piscícola: onde há muitos jacarés encontramos poucas piranhas.

O Pantanal é o lar da sucuri, cobra injustamente perseguida pelo pantaneiro, onde encontramos grandes populações de capivaras, lontras e antas, e avistamos com freqüência macacos de várias espécies, tamanduás e o maior predador da floresta: a onça-pintada.

As aves do Pantanal são um de seus maiores atrativos. Reunidos em enormes concentrações, temos o tuiuiú, o cabeça-seca, o colhereiro, aracuã-do-pantanal, a arara-azul, periquitos, garças biguás, tucanos, patos, etc. Um espetáculo admirável é observar as aves ao anoitecer ou ao amanhecer, à beira dos rios onde passam as noites.

A Unesco reconheceu o Pantanal como uma das mais exuberantes e diversificadas reservas naturais do Planeta, integrando-o merecidamente ao acervo dos Patrimônios Naturais da Humanidade.

O PANTANEIRO

“Para o peão, no Pantanal não há façanhas; o determinante é a façanha de sobreviver, ele próprio e seu gado.” (Carlos Ravazzani)

O homem pantaneiro recebeu dos primitivos habitantes indígenas (guarani, paiaguá, guató...) a agilidade física e o respeito à natureza, a qual encontra-se praticamente inalterada com mais de 200 anos de ocupação e exploração econômica. A colonização da região remonta ao século XVIII. Através dos rios Tietê, Paraná e Paraguai, chegaram os primeiros bandeirantes provenientes de São Paulo à Chapada Cuiabana onde encontraram ouro. Após a Guerra do Paraguai e com o declínio do ouro, o povoamento se dá no sentido Norte-Sul, surgindo no Pantanal grandes fazendas de pecuária extensiva que, associadas aos fatores ambientais, consolidaram uma estrutura fundiária de grandes propriedades.

Esse homem pantaneiro, que há mais de duzentos anos habita o Pantanal, aprendeu a conviver em harmonia com o seu mundo inundado, úmido ou seco.

O pantaneiro, no passado, dizia-se que era o caboclo ou mestiço, filho de branco com índio, de cabelos lisos, cor acobreada, queimado de sol e habitante da região do Pantanal, mas não existe um estudo científico e comprovado sobre sua sociedade, costumes e hábitos. O que ocorre, são pesquisas e levantamentos sobre seu habitat e suas peculiaridades, habitando num mundo, onde as condições são ímpares, seja ele pantaneiro, peão, morador da cidade ou mesmo o fazendeiro, integrado a tudo que o rodeia.

É um homem simples, calmo, resistente, acostumado ao sertão e a solidão. Se alimenta do que colhe, planta ou cria, de peixes, tão abundante na região, frutas silvestres e raízes.

O pantaneiro é um conhecedor de plantas e mantém com elas um relacionamento diário. Para orientação e locomoção no Pantanal, ele observa como marco uma piúva ou um capão que, ao recém-chegado, parece igual a centenas de outros; onde tem caeté, o carro atola. Onde tem embaúba, dá bom poço; onde tem acuri, pode ter porco.

uando a fome ou a sede aperta, várias frutas nativas podem amenizar a dura jornada: ananás, araçá, araticum, bocaiúva, cajuzinho, etc.

Quando se fala de cultura pantaneira, não se pode deixar de mencionar além do ambiente natural em que vive, a diferença entre o pantaneiro, o peão e o fazendeiro. Todos interligados e chegando mesmo a confundirem-se nos costumes, hábitos e crenças, são ligados a um conjunto econômico que configura as tendências culturais de um, em oposição a cultura mais requintada do fazendeiro, que valoriza a tradição feudal, burguesa, que normalmente prefere viver no conforto da cidade (entre elas Campo Grande, Corumbá, ou Cuiabá), como também há os que preferem viver nas fazendas mantendo um alto padrão de vida.

Os peões, homens afeitos à vida rude do campo e à lida com o gado, gente de quase ou nenhuma alfabetização, vivem praticamente isolados nas fazendas, longe mesmo de parentes ou família. São diferentes do pantaneiro em apenas alguns aspectos. Como não mantêm moradia fixa, trabalham de fazenda em fazenda, onde oferecem trabalho; e o ponto em comum com o pantaneiro está em nunca sair do pantanal. Como a mão-de-obra em uma região isolada como o Pantanal é sempre bem vinda, sempre acham trabalho como funcionários ou fazendo empreitadas.

Apesar dessa aparente liberdade, a vida do peão gera uma forte relação com o proprietário da fazenda, constituindo-se um elemento de confiança do patrão.

É um tipo típico da região - o peão do Pantanal difere dos outros pela indumentária necessária ao meio em que habita, região sujeita a alagação por ocasião das chuvas e pelos transbordamento dos rios, que lhe dá uma rotina completamente diferenciada.
Nas fazendas, o peão mora junto à sede, com relativo conforto, ou em locais afastados da sede chamados “retiros”, onde muitas vezes habita em choupanas rústicas, cobertas de palha e chão de terra batida, e dorme em rede. Esses retiros afastados, são em conseqüências das fazendas serem muito extensas e a necessidade desses locais afastados para um melhor controle da criação.

Sua principal tarefa consiste em conduzir o gado ante qualquer prenúncio de cheia, para os pontos mais elevados das pastagens, conhecidos por "cordilheiras". Mesmo assim ainda há perda de gado.

A vida do peão está ligada estreitamente a natureza, ao mundo ao seu redor; exemplo disso está no seu modo alimentar, muito simples, reduzido a três repletas refeições diárias à base de arroz, mandioca, farofa, feijão, carne em abundância, peixe à vontade, e verduras raramente. A primeira refeição é feita ao amanhecer, o que chamam de quebra-torto, e para passar o dia trabalhando no campo, o peão leva a “matula”. E o tereré (espécie de chimarão frio), tomado antes do almoço e no meio da tarde.

Outra peculiaridade do peão que o caracteriza como um homem simples, são suas receitas medicinais como: melado de aroeira, excelente para torções e fraturas, banha de sucuri para bronquite, entre outros.
O trabalho no campo exige do pantaneiro habilidade e grande resistência, para passar grande parte do dia em cima das montarias. Os arreios sofreram modificações ao longo do tempo, como o acolchoado que antes era de capim passou mais tarde para pele de animal, e assim várias outras indumentárias foram mudando com o tempo.

Um tipo humano muito curioso na região é o antigo caçador de onças, conhecido pelo nome de "zagaieiro", que mata o valente felino com uma arma primitiva, a zagaia, tipo de lança de ferro, fixada a comprido cabo de madeira de lei. É pessoa respeitada por todos, sejam autoridades locais, sejam fazendeiros e peões, pela coragem que possui.

A caça com zagaia é sempre realizada com auxílio de cães de caça. Quando ferido ou acuado, o jaguar lança-se contra o caçador que o espera com a zagaia escorada no solo.

Fontes: www.pantanalms.tur.br e texto de Carlos Ravazzani

 


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