Uma pesquisadora do IBGE bate à porta de um sitiozinho perdido no interior: - Essa terra dá mandioca? - Não, senhora - responde o capiau. - Dá batata? - Também não, senhora! - Dá feijão? - Nunca deu! - Arroz? - De jeito nenhum! - Milho? - Nem brincando! - Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada? - Ah! Se plantar é diferente...
O caipira entra na loja de ferragens e pede uma tomada: - Você quer uma tomada macho ou fêmea? - pergunta o balconista. - Sei não, seu moço! Eu queria uma tomada pra acender a luz e não pra fazer criação!
Depois de muito relutar e um tanto quanto a contra-gosto, o sujeito contrata o caipira para tomar conta do seu escritório.
No primeiro dia de trabalho do caipira, ele passa a manhã toda fora e quando volta vai logo perguntando: - Alguém esteve aqui? E o caipira: - Esteve sim, senhor! - Quem? - Eu. E o sujeito, irritado: - Não foi isso que eu perguntei. Eu queria saber se alguém entrou aqui neste escritório depois que eu saí. -Entrou sim, senhor! - Quem? - O senhor!
O caipira leva a sua vaca para cruzar com o touro da vizinha. Depois de ajudá-los no que podiam, os dois ficam ali, pendurados na cerca, olhando os animais transarem. Aí o caipira, muito do malandro, olha com malícia para a vizinha e comenta: - Cumadre, eu tô doidinho pra fazer aquilo que o seu touro tá fazendo na minha vaca! E ela: - Entonces vai lá, cumpadre! A vaca não é sua?
O caipira estava tranqüilo, deitado na sala, fumando o seu sagrado cigarrinho de palha e assistindo televisão, quando o seu cumpadre passa e acena pela janela: - Bom dia, Zé... tudo firme? Ele vira para o amigo e diz: - Não, cumpadre... Por enquanto é tudo futebor...
O carro da moça enguiça no meio do mato, onde havia apenas uma cabana com dois matutos, a quem ela pede ajuda. Eles foram tão prestativos, que ela resolve agradecer de uma maneira diferente e se oferece para os dois. - Nóis topa! A gente nunca vê muié por aqui há um tempão! - Só tem uma coisa - adverte ela, tirando duas camisinhas da bolsa - vocês vão ter de usar isto daqui, senão eu fico grávida! Terminada a festa, a moça foi-se embora com o seu carro e os matutos ficaram dormindo até o dia seguinte. Lá por volta do meio-dia, um virou-se para o outro e disse: - Você se importa se aquela moça engravidar? - Eu não! - Então vamo tirá esta porcaria do pinto?
O patrão dá uma bronca no caseiro: - Olha, seu José, não deixe a sua cadela entrar novamente na minha casa! Ela está cheia de pulgas! No mesmo instante o caseiro vira-se para a sua cadelinha: - Teimosa, vê se não entra mais na casa do patrão! Lá tá cheio de pulgas!
Os dois caipiras se encontram numa venda: - Oi, cumpadre! Como vão as coisas? - Tudo bem! Vosmicê sabia que o Chico casou? - Sabia, não! Casou com a Lindalva? - É, aquele mulherão! Agora o bicho tá que é um touro! - De forte?- Não, de chifre!
A mulher estava na estação ferroviária, doida para descarregar a bexiga. Olhava para o relógio a todo instante e, pela hora, o trem já deveria ter chegado na plataforma há pelo menos dez minutos. Ela se contorcia daqui, se contorcia dali, até que não agüentou mais e foi ao banheiro. Quando voltou, o seu trem havia chegado, mas já havia partido. - Oh, não! - fez ela, sentando-se no chão e derramando-se em lágrimas. Nisto o mineiro, solidário, aproximou-se dela: - Ô, Dona! Purquê esta choradera? - É que eu fui mijá e o trem partiu! - explicou ela. - Uai, mas a sinhora já num nasceu com o trem partido?
Montado em seu carrão reluzente, o sujeito viajava pelo interior quando passa a toda velocidade diante de uma fazenda e acaba atropelando um galo. Desce imediatamente e, consternado, vê que o bichinho está morto. Nisso, olha de lado e vê um matuto capinando muito próximo à cerca. Virando-se para o matuto, o sujeito diz: - Desculpe, amigo! Foi realmente culpa minha... O matuto fica olhando pra ele. E ele, sem jeito, continua: - Puxa, eu não deveria estar correndo tanto... sinto muito, por ter matado o seu galo. Mas eu faço questão de substituí-lo. E o matuto: - Vóismicê fique à vontade! O galinheiro é logo ali...
O caipira leva a mulher ao hospital. A médica começa a examiná-la:- Huuummm... A sua mulher não está com uma aparência muito boa. Olhos fundos, pele escamosa, lábios murchos, rosto sem cor... E o caipira: - Dona, se a senhora se olhar no espelho, vai ver que também não é lá essas coisas!
O capiau, muito do pão-duro, recebe a visita de um amigo. A certa altura da conversa, o amigo pergunta: - Se você tivesse seis fazendas, você me daria uma? - Claro, uai! - respondeu o caboclo. - Se você tivesse seis automóveis, você me daria um? - Claro que sim! - E se você tivesse seis camisas, você me daria uma? - Não!- Por que não?! - Porque eu tenho seis camisas!
Os dois caipiras se encontram no ponto de ônibus para uma pescaria. - Então cumpade, tá animado? - pergunta o primeiro. - Eu tô, home! Ô cumpade, pro mode quê tá levano esses dois embornal? - É que tô levano uma pingazinha, cumpade. - Pinga, cumpade? Nóis num tinha acertado que num ia bebê mais?! - Cumpade, é que pode aparecê uma cobra e pica a gente. Aí nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole que é pra mode num sinti a dô. - É... e na outra sacola, o que qui tá levano? - É a cobra, cumpade. Pode num tê lá...
Minha vaca está doente! - diz o caipira para o compadre - Lembra quando a sua ficou doente? O que foi que você deu pra ela? - Eu dei um pasto especial. - responde o compadre - Se quiser, eu lhe dou o que sobrou e você usa com sua vaca! O caipira pega o pasto, agradece e vai embora. Uma semana depois ele encontra de novo o compadre: - Você não vai acreditar, compadre! - diz o caipira, triste e cabisbaixo - Eu dei o pasto à vaca e ela... - o caipira começa a chorar - ela morreu!! - Olha só que coincidência! A minha também!
O caipira estava sentado num barranco, pitando o seu cigarrinho de palha e apreciando a paisagem quando pára um carro e descem dois sujeitos com um monte de tralhas. O caipira fica um tempão observando-os. Mede daqui, mede dali, torna a conferir, até que o caipira não resiste e pergunta: - Me adescurpe a intromissão, mas o que é que ocêis tão fazeno cum estes trecos tudo aí? Ao que um deles respondeu, todo educado: - É que nós somos engenheiros! Estamos fazendo as medições para fazer uma estrada! E o caipira: - Ah! bão! É que aqui nóis num faiz istrada deste jeito não! E o engenheiro, em tom desafiador: - Ah, não? Então como é que vocês fazem estradas por aqui? - A gente sórta um burro e vai seguindo ele, por onde o bicho passa é sempre o mió caminho pra se fazê a istrada... - E se vocês não tiverem o burro? - Bom... daí a gente chama um engenhero!

Um alemão estava passeando pelo interior de Minas, encontrou com um caipira e começou a conversar, procurando de toda a forma fazer gozação com o humilde homem. Num certo trecho da conversa, o alemão disse na maior cara-de-pau: - No Alemanha, o ciência estarrr muito avançado, non! Meu vozinha ficarrr cego dois vistas e cientistas alemons fazerrr dois novas de bolas de vidrrro e ele enxerga agorrra perrfeitamente, non! - Arre, égua! Pois lá na minha cidade de Matutina, meu irmão perdeu um dedo da mão na máquina de cortá capim e os médico de lá pusero uma teta de vaca no lugar, e agora, quando ele qué tomá leite, é só ispremê um dedo e pronto! - Ora! Isto ser impossível! Eu querrer verr parra crerr! - Tá bão! Intão traiz a tua vó com os óio de bola de gude prá eu vê!
Um charlatão parou numa cidadezinha de camponeses e disse aos seus botões: - Aqui vou lavar a égua com esta matutada! Após se instalar no modesto hotel que ficava situado na Praça da Matriz, conseguiu o salão do clube local e distribuiu folhetos pela cidade toda, informando que iria fazer uma importante revelação sobre um medicamento miraculoso que curava tudo quanto era moléstia. No dia marcado o auditório ficou superlotado. Havia gente sentada no chão, no parapeito das janelas. Os que não puderam entrar se empoleiravam nas árvores que circundavam o salão. Todos atentos para ouvir o que o "dotô" da cidade grande tinha para revelar. E o charlatão começou anunciando suas pílulas miraculosas: - Sim, meus senhores, há vinte anos que vendo estas pílulas que servem para curar todos os males do corpo e nunca ouvi uma palavra de queixa. Sabe o que significa isso, meus senhores? Lá do fundo, uma velhinha respondeu: - Que os morto num fala!
Um casal de caipiras estava em São Paulo, num ônibus, na hora do rush. Como estava superlotado, era só espreme-espreme. Em dado momento, a mulher pergunta ao marido. - Ô, Firmino, tu tá c´a mão lá? - Tô não. - Então tão...
Um caipira, moribundo, num esforço supremo, diz à sua mulher: - Chica, eu vô morrê com uma grande mágoa no coração. - Pruquê, Bento? - É que... eu tô desconfiado que o Zézinho num é meu fio não... - O Zézinho, nosso fio? - Ele mêmo! Ele é tão diferente dos otro... - Quar o quê, Bento; cê pode morrê sussegado que o Zézinho é teu fio sim sinhô... os outro é qu´eu num agaranto.
O caipira veio do interior com umas botinas sujas, mal cheirosas e hospedou-se em um bom hotel. O gerente chamou-lhe a atenção. - Meu senhor, não fica bem o senhor andar por aí com essa bonita velha. Por que não compra um par de sapatos no-vos? - E como é qu´eu faço? Onde é qu´eu compro um? - É fácil. O senhor apanha o telefone lá do seu quarto e pede o número. Eles ligam na sapataria e o senhor pede um calçado. - Só isso uai? Muito obrigado! E o cai-pira foi para o seu quarto, pegou o aparelho telefônico, tirou do gancho e ouviu a voz da telefonista perguntar: - O número, por favor? - Quarenta e quatro, bico largo - disse o caipira, desligando em seguida. Foi até a janela, estufou o peito, olhando maravilhado para os arranha-céus, disse: - Êta progressão danado! Inté adivinha o que a agente qué!
Numa noite fria, um viajante pede pousada a um caboclo. - Ocê troxe rede? - pergunta o caipira. - Não. - E cuberta e curchuado? -Também não. - Ãããã... - geme o caipira - Antão di drumi, ocê só troxe os óio?!
Um caipira chega ao confessionário e diz: - Sabe, padre, cometi um baita pecado! - Foi pecado capital, meu filho? - perguntou o padre. - Não, seu padre, foi aqui no interior mêmo!
Um caboclo bêbado ia subindo uma ladeira, firmemente agarrado a sua inseparável garrafa de cachaça, quando tropeça e leva o maior tombo. Refeito do susto, sente algo molhado debaixo da camisa: - Ai, meu São Gonçalo! - lamenta-se - Tomara que seja sangue!
Dois caipiras bêbados conversam em um bar: - Pirdi minha muié pru causa da bebida! - Ela te largô? - Não, foi trupelada por um caminhão de pinga!
O médico tenta examinar o caipira que está completamente embriagado. - O senhor toma muito álcool? - Tomo não, dotô! Só mêmo quando num tem uma cachacinha por perto!
Um caipira vai ao médico, caindo de bêbado. Durante a consulta, vêm as perguntas de praxe: - Nome? - Juvenal dos Santos! - Idade? - 32 anos. - O senhor bebe? - Dotô, vô aceitá um golinho só prá te acompanhá!
Um caboclo chegava todo dia no boteco, pedia uma pinga, tapava o nariz e tomava tudo num só gole. Um dia o balconista não se conteve: - Escuta, companheiro! Pruque ocê tapa o nariz enquanto bebe? E o caboclo: - É que o chêro da pinga me dá água na boca... e eu gosto da danada é pura!
Interior de Minas Gerais. A mulher grávida de oito meses na porta da
cozinha, olhava o tempo e procurava jeito de começar uma prosa com o marido, que descansava numa rede:
- Ô bem... cê cridita im Deus? - Ora si criditu... craro! - Intão, si é da vonta-de de Deus, nesse crima seco da peste e Ele queresse fazê chuvê dirrepente, chuvia? - Uai, muié, si é da vontade de Deus, chuvia na mesma hora... - Si é da vontade de Deus, o dia pudia virar noiti num minutim? - Ora, si é da vontade de Deus, virava sim... pruque não? - Si é da vontade de Deus, seno nóis dois branquelo azedo desse jeito, nosso fio pudia nascer pritim... quasi azulzim? - Arre égua... Si sesse da vontade de Deus nosso fio nascê pritim, nascia... mais qui ocê ia tomá uma surra de virá os zóio e arriá no chão... ocê ia... ah, si ia!
Num ônibus, um padre senta ao lado de um caipira completamente bêbado, que tenta, com muita dificuldade, ler o jornal. Logo, com voz empastada, ele pergunta ao padre: - O sinhô sabe o que é artrite? Irritado, o pároco respondeu: - É uma doença provocada pela vida pecaminosa e desregrada: mulheres, promiscuidade, farras, excesso do consumo de álcool e outras coisas! O bêbado calou-se e continuou com os olhos fixos no jornal. Alguns minutos depois, achando que tinha sido muito duro com o bêbado, o padre tenta amenizar: - Há quanto tempo o senhor está com artrite? - Eu? Eu num tenho isso não! Aqui no jornal fala que quem tem é o Papa!
Um bêbado entra na igreja e vê o padre no altar falando para os fiéis que estavam todos de pé. - O álcool é a desgraça do homem, todos aqueles que querem ficar livres dele, sentem-se. Todos os fieis sentaram. Então o bebado lá na porta grita para o padre. - Só nói doi mêmo, né padre?
O Dércio, um caipira meio esquisito demais, foi fazer um exame de próstata. Quando o médico colocou o dedo, ele disse: - "Num tô güentanu não, dotô, eu vô gritá!" O médico alertou: - "Eu acho melhor não. A recepção está lotada de gente aguardando para ser atendida e eles vão ouvir”. E o médico continuou o exame. E o Dércio continua falando: -"Dotô, eu vô gritá!" E o médico diz: -"Agüenta que eu já estou quase acabando." E o Dércio já quase louco diz: - "Num tô guentanu, dotô! Eu vô tê qui gritá!" O médico, impaciente, apelou: - "Então grita, sujeito!" E o Dércio: -"Aôô, trem bão, sôôôôôô!!!"
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