UNIVERSO CAIPIRA: TRADIÇÕES, CAUSOS E CRENÇAS
por Pinho
O universo caipira cobre a aura de todo brasileiro, assim como seus costumes transmitidos de geração a geração, através das tradições, dos causos e das crenças. São essas tradições que nos permitem dar continuidade à história do nosso povo, da nossa gente originariamente caipira.
A riqueza desse universo extrapola as fronteiras da alma, nos levando ao mundo encantado do sobrenatural, onde o absurdo se torna lugar comum e as crenças tomam proporções religiosas, determinando os caminhos seguidos por gerações. É a cultura do homem da roça exposto aos fenômenos da natureza e influenciado pela extrema fé no divino.
É dentro desse universo que se destaca a figura do violeiro e sua viola "encantada", seus medos e anseios, sonhos e amores. Essa figura simples, tantas vezes simplória, é o esteio dessa cultura secular, que remonta da época da colonização até os nossos dias, com a mesma força e expressão, resistindo bravamente ao progresso.
Somos todos caipiras, graças à Deus, caipiras com "C" maiúsculo, e devemos ter orgulho disso. Quantos dentre nós poderão dizer não ter na base de suas famílias um ancestral que não houvesse tirado seu sustento da terra? Essa é a verdadeira história do povo brasileiro: uma gente sofrida, porém rica em criatividade. É de onde vem a origem do nosso violeiro, adaptando um instrumento vindo de fora ao seu jeito todo especial de tocar e cantar, e principalmente, de afinar.
Com a figura do violeiro surgiu também as lendas envolvendo aqueles que se destacavam pela habilidade de executar o instrumento, e não tardou o envolvimento da religião com a viola, nos terços cantados, nas louvações e folias.
Não há quem toque mais ou menos a viola, como é comum encontrar entre os outros instrumentos. Os violeiros tradicionais acreditam que a arte da viola é um dom de Deus: quem não nasceu pra coisa não adianta tentar, pois que nunca será um violeiro (a não ser que faça o Pacto com o Diabo, a Simpatia da Cobra Coral, ou ainda, a Simpatia do Cemitério).
Na simpatia da cobra coral, o interessado deve sair à procura, durante a noite, de uma cobra coral e, ao encontrá-la, deve, com o polegar e o indicador da mão direita, pegá-la pela cabeça. Feito isso, deve passá-la na mão esquerda, sem encostar no polegar (pois senão ele irá querer pular pra dentro do braço da viola). Depois é só soltar a cobra, com o cuidado para não ser picado, e pronto!, ele já é um bom violeiro. A cobra ficará brava e o perseguirá para recuperar a magia. Alguns violeiros antigos conhecem toques e rezas para espantar a cobra coral da vida do sujeito. Essa é a simpatia mais conhecida entre os violeiros, sendo contada e recontada de várias maneiras.
Na Simpatia do cemitério, o aprendiz tem de se informar sobre o local onde foi enterrado um grande violeiro, dos antigos. Na Sexta-feira treze Santa da Paixão, à meia-noite, ele vai sozinho. Estendendo as mãos sobre o túmulo, com os dedos bem abertos, concentra e reza o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo, pedindo para a alma daquele violeiro lhe passar os segredos do instrumento. Um pé-de-vento vai-lhe arrepiar a espinha e começará a estralar todos os ossos das mãos. Dizem que é a alma do violeiro.
Aos primeiros raios do sol, quando o galo cantar o sujeito será um bom violeiro. Em agradecimento ele deverá rezar sempre, pra alma daquele um, agradecendo o "dom" adquirido.
Comenta-se muito, entre violeiros, o "Pacto com o Coisa Ruim". Esse porém, nem é bom ser mencionado, é danoso. Mas quem quiser saber, certamente encontrará quem se disponha a ensinar, pois que pra tal empreitada, eu não me ofereço.
Um traço interessante na personalidade do violeiro é que cada um deles se considera o melhor violeiro da região: não suportam a idéia da existência de outros tão bons quanto ele. Os violeiros costumam trazer, no interior de suas violas, um chocalho de cascavel, pois, segundo eles, o guizo possui uma forte magia de proteção tanto para a viola quanto para o violeiro.
Conta-se que, antigamente, nas disputas de violeiros, alguns possuíam a magia de quebrar as cordas e, até mesmo, o instrumento do seu adversário. Esses violeiros típicos, que ainda conhecem as tradições herdadas de seus pais e avós, estão desaparecendo, e com eles, toda uma cultura que necessitamos preservar.
Fontes: www.chicolobo.com.br / www.mundocaipira.com.br / www.fundaj.gov.br

SUPERSTIÇÃO
Superstição é acreditar na existência real dos mitos folclóricos, como o saci, a mula-sem-cabeça, o lobisomem, bruxas e em feitiços jogados, mau-olhado ou olho gordo. Há uma quantidade enorme de superstições conhecidas, passadas de pai para filho e presentes no cotidiano de muitas pessoas. Eis algumas das mais conhecidas:
» uma tesoura não deve ficar aberta por muito tempo. Dá azar;
» o gafanhoto verde dá sorte. A sua aparição é sinal de esperança;
» ao acompanhar um enterro não se deve entrar no cemitério antes do caixão;
» pisar em rabo de gato atrai malefícios;
» não se deve passar debaixo de escadas ou quebrar espelho. Dá azar;
» chinelos emborcados atraem desgraças;
» colocar a vassoura atrás da porta expulsa visitantes da casa;
» criança que ao nascer traz a mão fechada será sovina quando crescer; . criança que brinca com fogo à noite faz xixi na cama;
» quando uma criança sonha que está caindo num poço é sinal de que está crescendo;
» coceira na palma da mão não é boa coisa;
» deixar mala aberta é de mau agouro, pois se assemelha a um caixão mortuário;
» sonhar com a morte é sinal de vida longa.
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