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BENZEDEIRAS

da Redação

A prática de benzimento, bastante comum no meio rural e urbano do Brasil, trata-se de um saber fazer embebido num sistema de crenças de origem sócio-cultural, praticado em geral, por pessoas de classes populares, como forma de propiciar conforto físico e mental às pessoas com problemas dessa natureza.

O "benzimento" é uma forma antiga no tratamento de várias doenças, utilizada pelas pessoas desde a Idade Média na Europa. No Brasil, as benzedeiras surgiram a partir do século XVII. As benzedeiras indicam plantas para efeito de cura ou como amuletos protetores. Elas benzem, preparam e receitam chás, garrafadas, banhos e ungüentos.
A medicina popular praticada pelas benzedeiras vem de encontro aos anseios das pessoas que buscam alívio para seus males. Valores e herança cultural estão inseridos nesta prática de benzimento que se mantém viva até os dias de hoje.

Nossa cultura foi construída na tradição católica popular portuguesa, amalgamada por práticas religiosas indígenas e africanas. Nossa religiosidade sempre incluiu aspectos místicos que foram se difundindo na cultura em geral. É fato de que em muitas regiões do Brasil as pessoas confiam mais nas benzedeiras do que nas práticas médicas convencionais.

Certamente este dado evidencia uma sociedade organizada na desigualdade social, em que muitos nunca tiveram acesso a tratamentos médicos adequados e que o apoio místico das benzedeiras foi o único alento em meio ao sofrimento físico e emocional. Não quero dizer com isto que somente o tratamento médico resolveria todo o problema, pois se pode correr o risco de perder a alma sem as benzedeiras.
A medicina popular é praticada mais pelas orações das benzedeiras que pelo consumo de produtos, mesmo que naturais. Invocando sempre as três pessoas da “Santíssima Trindade”, mesmo sem um estudo teológico mais aprofundado, de seus efeitos e importâncias no catolicismo, as benzedeiras são consideradas como pessoas escolhidas: "de graça recebeis, de graça dais".

Todas elas, por mais necessidades que venham a passar na vida, nunca cobram pelas orações, pois sempre foram e serão fiéis aos ensina-mentos.
O conhecimento popular e as curas feitas com elementos da natureza transitam fortes em nossa cultura. Herdada dos povos indígenas e propagada pelas benzedeiras e descendentes de escravos, a cura através das ervas medicinais chegou nas grandes cidades com o exôdo rural.

Como a atividade confronta com a medicina científica e a prática não é reconhecida, muitas curandeiras e benzedeiras se isolaram temendo represálias por parte das autoridades. No entanto afirmam que são procuradas por médicos, religiosos e pessoas para quem a ciência não conseguiu dar uma resposta para suas enfermidades.
Interpretações dos conhecimentos, uso tradicional dos recursos vegetais e manejo realizado por benzedeiras, raizeiras e parteiras, são fontes de pesquisa nos estudos etnobotânicos.

Há hoje um movimento voltado para quem deseja conhecer os segredos e poderes das ervas medicinais. São encontros e palestras onde são discutidos o intercâmbio entre conhecedores das práticas espirituais e ambientais vivenciadas no Cerrado, debatendo o processo político de reconhecimento e auto-regulação das práticas populares de saúde desenvolvidas pelos conhecedores tradicionais e representantes comunitários no Cerrado.

“Parteiras, benzedeiras e raizeiras do Cerrado”: (31) 3728.2012

 


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