CHAPADÃO DO BUGRE, de Mário Palmério
nota do Editor
Nesse livro o leitor tem em mãos um vasto mural de uma pungente paisagem sertaneja, em que ternura e violência se alternam num jogo contraditório e imprevisível, muito próprio da condição humana. Nesse mural, em fortes traços que reafirmam em Mário Palmério, o admirável criador de tipos revelados em "Vila dos Confins", uma banal história de lutas entre homens de uma rudeza quase primitiva, que acaba por transfigurar-se em epopéia de largos traços dramáticos, tendo por cerne a figura de José de Arimatéia, o cavaleiro solitário e taciturno, que abriga no silêncio e no mistério do seu mundo interior, uma paixão tão violenta quanto inextinguível.
O leitor tem em mãos um romance que é uma brasa vermelha e viva. Que queima pela violência da narrativa e da linguagem máscula na sua extensão léxica e semântica. É assim que, pela violência que nasce do próprio contexto e pelo tratamento que o autor dá a essa violência, envolvendo o tema e o homem, suas paixões e costumes, seus preconceitos, suas vinganças e misérias, "Chapadão do Bugre" assemelha-se a um pássaro de fogo. É belo como ele e, como o pássaro de fogo, fascina, prende e sobressalta, pois nessas páginas há sempre algo de inusitado, de novo, de surpreendente.
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