

Seu Sebastião começou fabricando seus instrumentos utilizando caixotes de bacalhau vindos da europa, chamados de “pinho branco”
texto Cláudio Alexandrino e Elisana de Assis
Sebastião de Azevedo, nascido em São José das Mercês, distrito de Entre Rios de Minas, Campos das Vertentes -MG, filho de agricultores, logo cedo se interessou pelo ofício de trabalhar com madeira e foi então para Queluz de Minas (atual Conselheiro Lafaiete) em busca do primeiro emprego. Foi na fábrica de móveis e instrumentos musicais da família Meirelles, que localizava na Rua Afonso Pena, no centro, que deu seus primeiros passos na construção de instrumentos musicais.
Trabalhou como aprendiz de marceneiro, com apenas treze anos de idade, durante três meses com o Seu Wellington Nemézio de Meirelles (filho do velho Benjamim Cândido de Meireles), e seus dois filhos, o Neném e o Juca Ventura, - que juntamente com José de Souza Salgado foram os principais fabricantes de “violas de Queluz”. Ali mesmo na fábrica de móveis, havia uma parte do galpão separado e fechado para o feitio de instrumentos. Por ser segredo de família, não deixavam ninguém ver o fabrico das famosas violinhas.
Seu Sebastião sempre teve a curiosidade de saber como elas eram feitas. Num domingo, Juca Ventura, que era muito seu amigo, o levou para ver como eram confeccionados os instrumentos da família. Só de ver uma fôrma para violão, o aprendiz desvendou o “segredo dos Meirelles”.
Seu Sebastião fabricou seu primeiro violão e o levou pra mostrar aos Meireles. Foi recebido com descaso pelos filhos de Wellington, que riram dele por “querer fazer o que seu pai e seu avô faziam tão bem”. Porém o pai testou e aprovou o instrumento, e viu que, apesar da pouca idade do rapaz, havia muita qualidade no trabalho.
Seu Sebastião, enquanto trabalhou ao lado da família Meirelles, conheceu o Seu José de Souza Salgado, que ficava sentado no passeio em frente à sua “tenda” (como era chamado o local do seu trabalho), serrando a madeira com as quais fazia suas violas, violões e cavaquinhos, escondido de todos, na Rua Assis Andrade, no Bairro do Rosário, na antiga Queluz de Minas-MG.
Seu Sebastião parou de fabricar instrumentos por um período. Após alguns anos, conseguiu de volta um cavaquinho que tinha fabricado em 1942, reformou-o (o qual ainda mantém pendurado na parede de sua casa) e começou a fabricar violão.
Porém, era sempre cobrado de Seu Sebastião para fazer violas, mas este não tinha a fôrma. Foi até que apareceu uma viola do Salgado pra ele consertar e, em cima dela, começou a fabricar violas, feitas sem “os bordados”, pois de acordo com o artesão “não tinha firmeza necessária nas mãos”, inclusive substituindo as cravelhas de madeira pelas tarraxas.
O luthier utilizava caixotes de bacalhau, que eram chamados de “pinho branco”, para fazer seus instrumentos. Hoje ele fabrica suas violas de cedro e jacarandá, pela dificuldade de encontrar outras madeiras.
Seu Sebastião de Azevedo, no auge dos seus oitenta e nove anos de idade, faz consertos e fabrica por encomenda suas violas, cavaquinhos e violões.
Contato: (31) 3751.1567

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