
texto Leandro e Diego
O irmãos Binatti nasceram no município de Cedral, interior do Estado de São Paulo. Alício Binatti, 43 anos de idade, e Durval Binatti, 45, são pessoas simples, bem-humoradas, chegadas numa prosa boa e num batidão de viola, e estão hoje entre os melhores luthiers do país.
Os Binatti, como são conhecidos, residem em Uchôa-SP, região entre São José do Rio Preto e Mirassol.
Segundo Alício, tudo começou há aproximadamente vinte anos atrás, quando ainda trabalhavam na lavoura. O jovem Alício construiu um cavaquinho: braço, tampo e fundo foram feitos de madeira, mas como não sabia envergá-la, usou lata para fazer a lateral; nos trastes, aro de bicicleta. A experiência não resultou em um ótimo instrumento, mas dava pra tocar.
“O cavaquinho ficou ruim de som, duro, mas tocava, e meu irmão começou a aprender a tocar com ele”, relata.
A partir daí, começaram a aprender a fabricar violas e violões, sozinhos. Autodidatas, não fizeram curso algum para aprender a arte da luteria. Segundo Durval: “Nóis aprendemos na raça, tentando entender as coisas, esquentando a cabeça, criando nossas próprias técnicas”.
Após, aproximadamente, dez anos da construção do cavaquinho, começaram a fabricar violas e violões profissionalmente. As violas ainda eram simples, mas estava por vir uma técnica que revolucionaria a construção de violas, e os tornariam famosos pelo Brasil inteiro.
Goiano, exímio violeiro da dupla “Goiano e Paranaense”, de tanto re-mexer as cordas da viola, teve uma idéia brilhante: entortar alguns trastes do braço de tal forma, que fosse possível obter uma afinação perfeita, para que a viola não ficasse “mentirosa”.
Passado algum tempo, Goiano explicou sua idéia aos irmãos Binatti, que prontamente fizeram a experiência. Surpreendentemente o resultado foi positivo, mas era preciso algumas modificações.
”O Goiano teve a idéia e nóis aperfeiçoamo ela, pra ficá do jeito que ela tá hoje”, ressalta Alício.
Enfim, hoje, as violas fabricadas pelos irmãos Binatti estão entre as melhores do país. Além de uma afinação cem por cento, elas são “macias”, com um braço fino que não empena (outra técnica desenvolvida por eles), um som limpo e cristalino e com riqueza de detalhes. Literalmente, são verdadeiras obras de arte.
O mais interessante é que Alício não gostava de viola: “Eu não era chegado em viola, só fazia porque gostava de mexer com madeira. Mas hoje, ela é o meu instrumento preferido. Sou apaixonado por ela!”.
Suas violas estão nas capas dos CD’s “Meu Reino Encantado I e II”, do cantor Daniel.
Os irmãos foram entrevistados no programa “Fantástico”, exibido pela Rede Globo, no quadro “Me Leva Brasil”, em 2001, e já fizeram violas para violeiros e artistas de renome nacional, como a dupla Zé Mulato e Cassiano, Goiano e Paranaense, Zico e Zeca, Zé do Rancho, Ronaldo Viola, Daniel, Chitãozinho e Xororó, Gian e Giovani, Delley e Dorivan, entre muitos outros.
Suas violas são feitas geralmente com imbuia, caixeta, cedro, jacarandá da Bahia, ou com madeiras importadas, como jacarandá indiano, pinho americano, alemão e canadense. Nas escalas eles utilizam o ébano ou maple, mas deixam ao gosto do freguês a escolha da madeira a ser utilizada.
Sem dúvida, são duas pessoas que, além da grande sabedoria, têm uma simplicidade fora do comum, sempre recebendo, de bom humor, na simples e pequena oficina, interessados na compra de seus instrumentos e os amigos pruma prosa boa e prum bom repicado na “danada”.
Contato: (17) 3826.3157

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