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Braz da Viola, violeiro respeitado e grande mestre, com seus métodos e cursos, é responsável pela formação de muitos novos violeiros esparramados pelo Brasil afora.
Esse mesmo Braz, compositor e arranjador, regente de orquestra de viola, revela seu lado artesão, sua paixão pela luteria, e, principalmente, pela viola de cocho.

Braz se diz um eterno apaixonado pelo ofício de construção de instrumentos de cordas - apesar do seu início como violeiro, atuando principalmente com a didática da viola -, o qual deixou um bom tempo em segundo plano devido aos compromissos assumidos como músico e professor.

A princípio considerava a luteria uma arte distante, um verdadeiro mistério. Como atender as mais ecléticas necessidades de cada encomenda, satisfazer o profissional e o amador? “Ser luthier é uma profissão nobre, que merece respeito, e pra mim era algo inacessível!”, comenta.

Após conhecer o Renato Vieira (dono da “Violas Xadrez”), de quem se tornou grande amigo, devido à manutenção dos instrumentos da orquestra passou a observar o trabalho dos luthiers da fábrica, despertando assim seu interesse pela arte.
Foi através dessa amizade com o Renato, que ele começou seu aprendizado. E sua primeira lição valeu como incentivo: “Só se aprende fazendo!”. E a partir daí o mestre violeiro se tornaria também um luthier.

Passou então a conhecer os tipos de madeira e o comportamento de cada uma delas conforme o instrumento a ser confeccionado.

Caprichoso e dedicado, passou a construir suas violinhas com boa aceitação, mas foi com a viola de cocho que Braz se destacou no meio.

A viola de cocho entrou na sua vida e já foi conquistando seu coração: “quando eu pego uma viola de cocho nas mãos eu não quero largar mais. Eu fico horas tocando... Eu gosto muito de madeira e ela é toda de madeira, não leva metal”.

Seu primeiro contato com a viola de cocho foi em 1992, em São Gonçalo Beira-Rio, um distrito de Cuiabá-MT. Ali se encantou com as possibilidades do instrumento, tão rústico e responsável pela animação de festas religiosas e bailes.

“Com três acordes, duas casas no braço, eles resolvem tudo. Não precisam de mais nada, eles resolvem com o simples. E ela (a viola) é muito bonita. Então eu resolvi fazer a viola de cocho”, lembra.

O trabalho que Braz desenvolveu é de uma delicadeza e acabamento imprecionantes, pois a viola de cocho é tradicionalmente feita sem maiores cuidados, normalmente entalhada a machado.

“Ela é feita à partir de uma única peça de madeira entalhada (imbuva ou sarã-de-leite), mas para evitar o desperdício de madeira, desenvolvi minha viola com tampo, lateral e fundo. Assim eu posso usar a madeira que quiser e aproveito tudo”, justifica.

Braz está para lançar um instrumento que é uma fusão da viola caipira com a “vihuela” (viola espanhola), com braço meia-regra (12 casas), boca em “f” (como o violino), cravelhas e trastos de madeira, e encordoamento de naylon. “Será um instrumento para ser tocado pelas moças, pois algumas alunas reclamam das cordas de aço, que machucam seus dedos. E a idéia é manter minha linha de trabalho utilizando somente madeira na construção de meus instrumentos”.

Para os amantes, Braz acaba de lançar o “Método para Viola de Cocho” (acompanha CD), com exercícios, peças, ritmos como o siriri, o cururu, a toada de São Gonçalo, e um dicionário de acordes, o qual faz questão de enviar junto com suas encomendas, para que a pessoa que adquiriu o instrumento possa conhecê-lo e executálo adequadamente.
Para planos futuros Braz faz questão de frisar que continua na construção das violas de cocho, vai divulgar sua “violinha meia-regra” (para moças), trabalhar na área didática e compor muito.

Contato: (12) 3926.1853