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AQUI NASCE A REVISTA VIOLA CAIPIRA

texto Rodrigo Delage
fotos Estevam Avellar

Ô, gente, tô escrevendo para convidar todo mundo para dar uma chegadinha na sede da revista! Quem quiser conhecer é só continuar lendo. Vamos chegando!

Hoje, a gente entra na casa da Revista e parece que tá é entrando na sede de uma dessas fazendas antigas escondidas no sertão. É tanto trem que fica até difícil de descrever a vocês. Aberta a porta, tem que subir um lance de escada e dos lados já vai se vendo foto de viola e de violeiros. Se a gente o-lha pra frente, vê violão antigo pendurado na parede, viola de cocho, cavaquinho e até uma viola de cravelha enfeitada com ramados, talhada lá em São Francisco.

Na sala de chegada, é cabaça, trenheira de arreata de animal, mobiliário de fazenda com direito a tudo quanto é miudeza de detalhes, que é pra modo de a gente nunca se esquecer do sertão.

Abençoando tudo, está a imagem muito protetora de nosso São Gonçalo, em bandeiras enfeitadas de fitas e flores.

Cada coisa que aqui figura hoje foi ganhando o seu lugar aos poucos, quase que artesanalmente. A cada visita me eram mostradas com orgulho as novidades dos detalhes da decoração, assim como as vitórias na realização de cada matéria e na edição de cada número da revista, os planos para os próximos...

Se andamos mais um pouco, atravessamos um corredor e chegamos na “sala de trabalho”. Fico pensando como um leitor que tá bem longe daqui de Minas, imagina ser a estrutura de produção da Revista Viola Caipira... Eu mesmo, antes de conhecer a sede pessoalmente, imaginava uma equipe grande com aquela turma de gente digitando em frente ao computador e o pessoal todo trançando de um lado para o outro nas salas, em ritmo acelerado.

Mas a realidade que algumas vezes presenciei e que noutras oportunidades me confidenciou o nosso grande amigo Pinho e a incansável amiga Margaret é diversa. Muitas vezes se fundem em uma só pessoa, o repórter, o fotógrafo, o editor, o revisor, o redator...

É aí que eu digo a todos vocês, apenas o amor verdadeiro pela viola e por todo o seu universo para fazer com que fossem vencidas as inúmeras dificuldades, nos mais diversos aspectos, surgidas na criação e materialização de cada edição. Só mesmo sendo violeiro, em todas as acepções do termo, para ir rompendo no peito, com a força de um boi carreiro, os obstáculos que vão surgindo pelo caminho que vai sendo aberto pela revista. 

Igualmente às casas do nosso interior e aos corações do nosso povo, constatei que as portas da Revista estiveram sempre abertas a tudo que diz respeito à viola, divulgando e valorizando, do desconhecido ao consagrado, aquilo que deve ser apreciado. Na “sala de trabalho” tem fotos de violeiros e um tanto de discos que estão sempre tocando enquanto a prosa se desenrola e vai sendo posta em dia.
Inclusive, se tenho compromisso, saio sempre atrasado da revista, porque quando a conversa é boa e a gente é amiga, o tempo acaba sendo sempre pouco, isso quando a prosa não termina nos braços da violinha com o Pinho fazendo uns ponteados de pagode.

É isso aí gente, é essa a nossa revista, de todos os violeiros: tocadores de viola; ou simples apreciadores e amantes da nossa genuína cultura brasileira.
E viva a viola caipira!!!