PAGODE DE VIOLA
Vamos retomar hoje nossas raízes! Iremos nos ater nesta edição (e na próxima) ao estudo do “pagode de viola” ou “pagode caipira”. Um verdadeiro tesouro sobre a vida e a obra do “Rei do Pagode” Tião Carreiro, encontramos nas edições anteriores da nossa Revista Viola Caipira. Sendo assim, vamos estudar o mo-vimento das mãos quando executamos o pagode, assim simplesmente denominado entre nós.
Mão Direita: responsável pela marcação do ritmo, a execução da “batida” ou “levada”. O pagode é um ritmo binário (2 tempos), com seis movimentos inseridos nestes dois tempos, porém, com duração e características diferentes, assim sendo:
P: 1º movimento - duração “longa”, geralmente feita com o polegar;
i: 2º movimento - duração “curta” (metade da duração do 1º movimento), geralmente feito com o indicador ou a unha do polegar, nos sentido das cordas mais agudas para as mais graves (de baixo para cima);
Rf: 3º movimento - duração “curta”, um rasqueado fechado e abafado (feito com as costas dos dedos i, m, a, simultaneamente ou com as costas do dedo polegar “P”);
i: 4º movimento - duração “longa” (o mesmo tempo do 1º movimento), sendo reali-zado pelo dedo indicador (quando o Rf foi feito pelos dedos i, m, a) ou pela unha do polegar (quando o Rf foi feito pelo polegar “P”);
Rf: 5º movimento - idem ao 3º movimento;
i: 6º movimento - idem ao 2º movimento .
Podemos colocar estes movimentos (do 1º ao 6º) num gráfico analógico, mostrando a importância da observância dos movimentos de duração “longa” e duração “curta”:

Mão Direita: responsável pelos “repiques” ou “floreios” tradicionais que tanto en-cantam os violeiros e os apreciadores do gênero.
Para executar os floreios e repiques, vamos dar uma “formulazinha” básica, a qual depois de assimilada, poderá conter inúmeras variações.
Dica: Comece a batida do pagode num contra-tempo (5º movimento), seqüencian-do os movimentos à partir daí.
Traduzindo isso através das seqüências dos movimentos:

Enquanto a mão direita executa a batida, a esquerda executa os floreios A, B, C dentro do respectivo movimento.

A arte consiste em deixar a mão direita independente da esquerda. Para tanto, dê ênfase à mão direita, estudando bem os seus movimentos para que a mesma não pare ou faça movimentos errados quando os floreios da mão esquerda forem por esta executados.
O que há de mais fascinante nos pagodes, ou em muitas opiniões, no mundo da viola caipira, são as introduções intrumentais dos mesmos. Verdadeiras obras primas, requerem muita destreza e habilidade técnica de quem as executa. As introduções dos pagodes são os cartões de visita da maioria dos violeiros.
Colocamos aqui, à disposição dos leitores violeiros alguns grandes sucessos.
Boa sorte e qualquer dúvida, entre em contato com a gente.
Viva São Gonçalo!


|