MODA DE VIOLA
É muito comum quando algum entusiasta da música de raiz solicita a um violeiro para executar uma música daquelas “boa”, a solicitação vem assim: - Toca aí aquela moda...”. No entanto, sabemos que “moda de viola” é um gênero específico, não se confundindo com as toadas, cateretês, guarânias, etc.
A “moda de viola” ou a “moda caipira” é situada como uma das mais importantes manifestações artísticas das regiões Sudeste e Centro-sul do Brasil. Suas origens remontam a difusão do romanceiro tradicional ibérico pelos jesuítas portugueses.
Fato interessante e comum nas modas de viola é a caracterização do “cantador-violeiro” como um herói caboclo, bem como a adoção da figura do “boi”, muitas vezes simbolicamente personificado na figura do boiadeiro, geralmente o narrador da saga.
Talvez pela dificuldade de acesso às informações, principalmente no que tange à formação de acordes e estruturas rítmicas, a moda de viola é extremamente difundida na base prática da viola caipira, sendo muito comum encontrar violeiros com grande facilidade na execução do repertório de modas, mas que porém, não tocam ou desconhecem as levadas dos outros ritmos tradicionais como cururu, toada, etc.
A arte da execução da moda de viola consiste em pontear e cantar ao mesmo tempo. Para cada sílaba melódica, um dueto na viola. Quando cantada em dupla, a primeira voz faz a melodia e a segunda voz em intervalo de 3ª, acima ou abaixo da primeira voz (muitos pensam que a 2ª voz é sempre a mais grave, no entanto isso não é uma regra).
Considerado um dos maiores “modeiros” que já existiu, Adauto Ezequiel, ou como é mais conhecido, o “Carreirinho”, teve na moda de viola uma maestria insuperável. Suas narrativas cativantes, seus desfechos brilhantes e sua perspicácia nos levam a uma viagem mental que nos colocam bem vivos no centro da história, como se imaginásse-mos estar vivendo aquele momento. Todas as suas modas dariam excelentes “vídeos-clips”.
Vai aqui para vocês, dois sucessos do mestre, sendo “Ferreirinha”, narrado pelo “eu” boiadeiro, e o “Violeiro Solteiro”, narrado pelo “eu” violeiro, ambos heróis e mitos do nosso mundão caipira. Bão pra nóis!
Viva São Gonçalo!



|