 
Numa prosa divertida e descontraída no sofá de seu apartamento, no bairro da Mooca, na capital paulista, Tinoco nos contou sua história. Da infância sem dinheiro ao estrelato, ele passeia com emoção e simpatia pelas lembranças do irmão Tonico, querido e admirado, e cenas curiosas de suas vidas.
Considerado um ícone da nossa música raiz, aos 75 anos Tinoco é o próprio sertão, e como se diz na roça: é puro cerne! Com um vigor invejável, um semblante feliz e a certeza de terminar seus dias com a missão cumprida, esse “violeiro das antigas” é a história viva da nossa viola.
Em entrevista exclusiva para a Revista Viola Caipira, Tinoco foi buscar lá na casinha da roça (lá no mato onde a onça mordeu seu tio), no município de Pratânia-SP, o enredo da vida da maior dupla caipira do país.
Tinoco - “Tonico e Tinoco” surgiram por causa de quatro frango: um índio trocô uma violinha por quatro frango com o nosso pai... ele é que tinha feito meio no canivete, muito mal feita mas tinha som... nem sei como ele conseguiu corda de viola há quase cem anos atrás... primêro ele pediu dinhêro com as mãos assim (junta o polegar com o indicador), mais ele num tinha. Daí meu pai viu quatro frango passeando pelo terrêro e ofereceu pro índio gesticulando com as mão: “quatro frango procê comê e eu fico com a violinha...” o índio catô os frango e caiu no mato.
VC - E a afinação, como vocês descobriram qual era a certa?
Tinoco - Ele tinha trazido a violinha afinada, então quando uma corda desafinava eu e o Tonico chegava ela como tava antes. E assim nóis aprendemo a afiná, tocá, cantá e compor. A primêra modinha que nóis cantemo foi uma que a nossa mãe ensinô: “Oi jacaré, oi jacaré... Jacaré comprô cadêra num tem bunda pra sentá...” e várias outra modinha. Depois nóis comecemo a inventá, eu com o Tonico tamém.
VC - Até então vocês nunca tinham ouvido rádio?
Tinoco - Que rádio!!! Ali num tinha nem gente... nóis num conhecia nada. Imagina só...

 |