 
São Tomé das Letras, fim de tarde, o sol se põe no horizonte e o cair da noite trás um friozinho de mês de agosto. Enquanto aguardava o início da passagem de som para o show de logo mais, aproveitei para uma prosa rápida (devido aos compromissos) mas proveitosa com Almir Sater sobre viola e violeiros.
VC - Eu tenho observado um crescente com relação ao movimento da viola no Brasil, como você está vendo tudo isso?
Almir - Eu tenho visto uma geração de violeiros fantásticos surgindo, com sangue novo, influências novas, desde Tião Carreiro ao pop internacional... Bons violeiros e boas violas também, com uma geração de luthiers caprichando nelas. Acho que a viola está virando um instrumento importante já, tá quase virando! (risos)
VC - Uma coisa que eu acho interessante é a sua posição no cenário musical, onde observo uma constância com relação a resposta do seu público.
Almir - O que eu sempre quis mais na minha vida era poder viajar o Brasil inteiro tocando viola e criar minha família com dignidade, poder educar meus filhos... e a viola me dá isso, sabe? Toco no Brasil inteiro... Não sei, acho que eu sou um violeiro que fiz essas novelas, que deram uma mídia muito forte, me aproximando muito do grande público do Brasil que é meio noveleiro. E o fato de poder tocar viola naquelas horas assim, então me aproximou muito e isso aí não tem preço, foi uma sorte que eu tive. Poder levar a viola pro lar das pessoas, naquele momento mais íntimo, que é a sala de casa, ali.
VC - Então você é o alavancador da viola no Brasil, de alguma forma?
Almir - Mais ou menos... Não! Os grande alavancadores da viola no Brasil são o Renato Andrade e o Tião Carreiro.
VC - Eu digo em termos de mídia, de levar a viola mais perto das pessoas.
Almir - Sim, depois daquilo ali comecei a tocar viola em tudo que é lugar. Depois...

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