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Hoje, aos 80 anos, com a voz impecável e gozando de ótima saúde, ainda sonha com um programa sertanejo.

VC - Como foi o início no rádio?

GM - Eu iniciei no rádio praticamente por volta de 1947, quando o Capitão Furtado tinha uns programas lá no alto do Sumaré, na Difusora, era o “Mutirão do Sumaré”. Eu comecei a freqüentar e na época eu comecei a fazer humorismo em circo. Naquele tempo eu assistia o Serrinha, o Caboclinho... Agora um programa meu, mesmo, foi na década de 50, na rádio 9 de Julho e na rádio Tupi: “Prelúdio Sertanejo”, “Manhã no seu Rádio” foram progamas meus, e depois tive um na rádio Marconi. Eu fazia as três rádios juntas: entrava às 4h na rádio Tupi, às 6h na 9 de Julho e às 8h na rádio Marconi. A gente quase não tinha material naquele tempo pra mostrar nos programas. A gente fazia muito programa ao vivo com as duplas.

VC - O senhor nasceu em que cidade?

GM - Nasci em Casa Branca-SP e fui criado no Vale do Paraíba, numa fazenda chamada “Sertãozinho”. Depois fui pra São Paulo. Durante a 2ª Guerra eu estive no Rio de Janeiro, porque eu fui convocado, e fiquei cinco anos por lá. Depois voltei pra São Paulo e fiz minha vida lá. Faz pouco tempo que eu estou em Casa Branca-SP.

VC - O senhor tem sangue italiano?

GM - Eu sou caipira mesmo. Meu avô era caipira, o meu pai era caipira... A família da minha mulher é que era toda italiana. Acho que então fiquei meio italianado. O “Meirelles” do meu nome é de Portugal.

VC - Me lembro do seu programa de televisão “Canta Viola”, que era líder de audiência...